Resenha Fevereiro – O Tambor (Günter Grass)

Nossa Senhora, nem acredito que terminei de ler o livro. 701 páginas! Justamente essa é a maior marca registrada do alemão Günter Grass, a demanda de páginas que seus livros possuem. “O Tambor” é na verdade um livro que contém uma trilogia. É um romance que marcou a literatura alemã por ser o primeiro livro a retratar o período pós-guerra e os conflitos entre poloneses e alemães, lançado em 1959. A obra ajudou, em muito, na escolha de Günter ao Nobel, em 1999. Por muitos estudiosos, e não confessada pelo autor, como uma biografia do mesmo. Detalhe curioso, é que Günter serviu as forças nazistas, motivo pelo qual ele não é muto bem aceito no cenário da literatura. 0,,15858995_303,00

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(se digitar Günter Grass no Google, só irão aparecer fotos dele com cachimbo)

O livro é prolixo, e um tanto cansativo. Personagem principal é Oskar. Ele será o narrador, alternando com seu tambor; e contará a história da sua família até o exato momento em que ele está em um hospício. No seu aniversário de três, depois de ganhar um tambor de sua mãe, o menino decide não mais crescer. A justificativa para tal decisão é um tanto que complicada e não muito bem explicada ao decorrer do livro. Assim, Oskar passa a ser para a sociedade um pobre garotinho anão. Contudo, Oskar critica tudo e a todos, e baseado nisso, podemos entender, que a decisão de não mais crescer, surge na inquietação de não se tornar uma pessoa desprezível como os adultos são. O protagonista possui, a cima de tudo, uma inteligência precoce, uma reflexão apurada da sociedade que está inserida e das hipocrisias presentes na política, famílias e religiões. A partir do seu terceiro aniversário, além de não mais crescer, passa o resto da sua vida tendo a companhia inseparável de um tambor, que de tempos em tempos é substituído por um novo devido o desgaste do uso.

A família de Oskar tenta inseri-lo na sociedade. Matriculam em uma escola, tentam arrumar amigos, entretanto Oskar rejeita tudo. Seu mundo é o tambor. Possui um artifício com a voz com o qual consegue quebrar vidros. Com isso, quebra vidros de lojas bem na hora que as pessoas passam sozinhas, provocando no individuo, a tentação de roubar (o que faz todos os que são expostos).

Livro é grande, como já salientei. Rico em descrições da Polônia, da guerra, dos costumes. Criticado ferozmente pelo seu teor erótico e de crítica social, demorando quase dez anos para chegar na outra Alemanha que na época existia. Um momento que podemos enunciar, é a parte na qual ele acusa a imagem de Jesus Cristo de mentiroso e que pede como prova da existência divina a sua manifestação naquele momento. E é assim, Oskar passa o livro basicamente instigando os demais a mostrarem suas fraquezas, traições, homossexualidades, tudo que há de obscuro e que tentam esconder com todas as forças…

Há partes belíssimas e emocionantes, como a que ele descreve a falta que irá sentir de sua mãe após o falecimento da mesma, mas há partes truncadas, que a leitura se torna insuportável, e que em vários momentos deu-me vontade de interromper e partir para outra leitura. Mas sendo um clássico, literatura alemã, escritor laureado, livro comprado há cerca de um ano e estancado; essas informações me alimentavam e davam-me gana em terminar logo o romance. Belo dia chegou e já corri para cá para resenhar.

Mamãe sabia ser alegre. mamãe sabia ser ansiosa. mamãe sabia esquecer facilmente. E, contudo, tinha boa memória. Mamãe batia a porta no meu nariz e, contudo, me admitia em seu banho. Às vezes mamãe me perdia, mas seu instinto me encontrava. Quando eu quebrava vidros, mamãe entrava em ação com a argamassa. Às vezes se sentava mal, embora houvesse ao seu redor cadeiras suficientes. Mesmo encerrando-se em si mesma, para mim sempre estava aberta. temia as correntes de ar e, contudo, não parava de provocar vendavais. Vivia a crédito e não gostava de pagar impostos. Eu era o reverso de sua medalha. Se jogava cartas, ganhava sempre. Quando mamãe morreu, as chamas vermelhas do cilindro do meu tambor empalideceram ligeiramente; em contrapartida, o esmalte branco se fez mais branco, e tão ofuscante que às vezes o próprio Oskar, deslumbrado, tinha de fechar os olhos. (página 191)

Para finalizar, apesar de ter criticado muito livro, preciso manter minha minha personalidade rica em idiossincrasias. Se um dia perguntarem a mim qual o melhor capítulo que já li, digo que é “Fé Esperança Amor”, presente neste livro. Só esse capítulo, para mim, seria de publicação à parte do livro. Não posso digitá-lo aqui por conta da extensão, mas posso resumir ao dizer que é sobre um velório e sobre os acontecimentos posteriores que ocorrem ao músico Meyn, e cada parágrafo o autor repete a mesma coisa que disse no anterior e acrescenta mais um detalhe, e continua assim até último parágrafo. É um tanto quanto cinematográfico e lembra muito o filme Ponto de Vista, na qual cada personagem tem seu ponto de vista descrito.

Se recomendo a leitura? Sim, mas aviso para que tenha paciência e seja bondoso com Oskar.

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4 comentários sobre “Resenha Fevereiro – O Tambor (Günter Grass)

  1. Mariana,
    Adorei a resenha. Esse é um daqueles casos em que tudo o que eu sabia sobre o livro é que é famoso e tem a ver com a segunda guerra. Eu não tinha nenhuma informação sobre a trama, sobre o autor ou sobre os motivos que fizeram o livro ser escolhido para o Nobel. Apesar de não ser fã de livros ‘tijolões’, me interessei bastante e pretendo ler.
    Bjo e obrigada pela dica 😉

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    • Mariana S. disse:

      Ôpa, obrigada pelo comentário!
      Pois é também não sou fã dos “tijolões”, um dos motivos que posterguei a leitura.
      É um livro difícil, que por muitas vezes pensei abandonar.
      Beijos!!!

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    • Valeu pelo recadinho!! Que bom que gostou da minha resenha!!
      Obrigada pela visitinha e desfrute O Tambor. Ao longo da leitura você pode esmorecer, mas ao final você terá muito orgulho de si por ter finalizado-o.
      Beijos!

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